segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Por que são importantes os rankings

Catorze anos depois, os rankings já não são uma mera ordenação das escolas com base nos resultado da 1.ª fase dos exames nacionais do secundário. Pelo menos no PÚBLICO – é engraçado observar como nos outros órgãos, à excepção do Jornal de Notícias, as listagens continuam a ser lidas de maneira tão simples e só se destacam as escolas que ficam em primeiro lugar –, desde que o Ministério da Educação e da Ciência (MEC) começou a oferecer mais dados, que houve a preocupação de os conseguir ler e interpretar. Essa análise só é possível graças aos professores Joaquim Azevedo e Conceição Portela, da Universidade Católica Portuguesa.

Para compreender como se fazem os rankings nos últimos anos, veja este vídeo.

Depois, é correr as listas de cima, abaixo, debaixo, acima, à procura de dados curiosos, à procura de histórias e é fantástico perceber o que está por detrás dos números, que escolas são aquelas que se destacam, pela positiva ou pela negativa. Há muito que no PÚBLICO deixámos de ir a correr à escola mais bem colocada, que tem sido sempre uma privada, para oferecermos aos leitores o óbvio: famílias preocupadas com a educação, que o transmitem aos filhos (e não só, há cultura, há métodos de trabalho que são fruto da educação parental e não da escola), professores e direcções empenhadas, etc. Este ano fomos à pública mais bem classificada, que já não está em Coimbra, em Lisboa ou no Porto, mas nas Caldas da Rainha; e também fomos à escola que mais se superou.

Queremos espantar os leitores, como nós próprias nos espantamos quando ouvimos, por exemplo, uma directora dizer que a indisciplina contribui (em muito) para o insucesso – facto que há muito está estudado –, mas foi por isso que as medidas assumidas pela sua escola não são só de mais apoio académico aos alunos, mas, sobretudo, de mais disciplina.
É importante observarmos como as escolas mais isoladas, localizadas em zonas mais deprimidas sentem tanta dificuldade em descolar do fim das tabelas. Muitas conseguem. É assustador ouvir um director contar que é preciso ir chamar os alunos a casa, para fazerem os exames e que estes adormecem; ou uma professora descrever como é o seu dia-a-dia quando tem de dar aulas a crianças de anos de escolaridade diferentes com dificuldades cognitivas e enorme desinteresse – como é que podem competir com as grandes escolas? Com os alunos cujos pais trabalham? Com os colegas cujos pais dão importância à educação?
Mas estes pais existem e motivam os seus filhos! Aliás, mesmo nas escolas onde os resultados são baixos, há sempre estudantes que brilham, como é o caso de Hélder Antunes, da escola de Campo, em Valongo.

Apesar dos resultados terem melhorado este ano, nunca as escolas públicas estiveram tão longe dos lugares do topo do ranking e, para isto, contribuem em muito as más políticas do MEC, como a colocação dos professores; ou a atribuição de prémios àquelas que já se destacaram, portanto, o dar rebuçados aos meninos que já estão habituados a comê-los, não chegando os doces para os que não sabem o que isso é.

No PÚBLICO há ainda espaço para opinião, muita opinião, variadíssima, contra e a favor; para entrevista; e, claro, para as listagens, com possibilidade de poder brincar com as mesmas – qual a escola que obtém o melhor resultado no distrito? no conelho? na cidade? Está tudo aqui!
BW

domingo, 30 de novembro de 2014

Bons resultados escolares não se conjugam com professores desmotivados e zangados

Dos vários artigos que li sobre os rankings, entre o Expresso e o PÚBLICO, fiquei com o seguinte início de um texto na memória. Reproduzo-o abaixo:
«Bons resultados escolares não conjugam por norma com “professores muito desmotivados e zangados”. E é neste estado de espírito, palpável nas escolas públicas, que a directora do Colégio Moderno, de Lisboa, Isabel Soares, encontra uma das razões que levaram este ano a mais um recuo daquelas no ranking das secundárias, que no PÚBLICO é elaborado com base nas médias obtidas nos oito exames mais concorridos.
Os colégios não se podem queixar de tal. Para além de estável, no Moderno o corpo docente também “acredita no projecto educativo” do colégio, frisa Isabel Soares em declarações ao PÚBLICO.
O Moderno ocupa o segundo lugar no ranking das secundárias de 2014, com um média de 14,2 valores (numa escala de 0 a 20). O primeiro volta a pertencer ao colégio Nossa Senhora do Rosário, no Porto, com um resultado de 14,41.

A frase que destaco a negrito aplica-se, em primeiro lugar, à dança de professores do público, como o título, bem interessante, do texto invoca. Refere-se, depois, a todas as dificuldades pelas quais os docentes do ensino público têm vindo a passar (de onde destaco o recente e vergonhoso processo de colocação, com consequências, em alguns casos, irremediáveis para os alunos). Aplica-se, ainda, ao ensino privado, cujo sucesso decorre não apenas das condições socio-económicas dos alunos que o frequentam (como muitas vezes é sugerido), mas depende em muito da adesão e dedicação de professores motivados por projetos educativos diferenciados, equipas coesas, valorização do trabalho de todos e de cada um.

sábado, 29 de novembro de 2014

Rankings das escolas 2014

Chegaram os rankings referentes ao ano letivo 2013/14. Nada de muito novo. Escolas que sobem, outras que descem. O privado nos lugares de destaque. Muito empenho e esforço de muitos diretores e professores que os números não retratam. Nuno Crato, ao Expresso, lastima a utilizaçao do estrangeirismo "ranking". Reconhece que o termo "ordenação", em português, fica aquém das leituras que se fazem destes números. E é verdade. E é também verdade que os pais têm o direito de ver e comparar. Devem, todavia, acreditar no esforço dos professores e, com eles, trabalhar para uma escola maior, melhor e mais feliz para todos.
O jornal PÚBLICO já nos habituou a um excelente trabalho de análise e reflexão sobre os dados. Este ano não foi exceção.
Aqui fica o link para quem quiser espreitar os resultados da escola dos seus filhos ou da sua antiga escola. Porque não?

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Novo livro Olimpvs.net - sugestão para o Natal dos mais novos

O sétimo volume da coleção Olimpvs.net já chegou às livrarias. Desta vez, a acção passa-se entre Gaia e o Porto. É nesta cidade, que Pedro (Poséidon) vai descobrir o seu passado mágico. Uma terrível epidemia assola a cidade e os cinco heróis são também contaminados. Em confrontos com Dioniso, encontram também as Ménades (as bacantes da mitologia romana) e os sátiros (faunos da versão romana).
Mais uma aventura da coleção com o selo do PNL a não perder!

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O novo livro de Isabel Stilwell para as mães

O convite é diferente e é já para este sábado. Pegue no seu filho e vá conversar com a autora do livro "Os dias de uma mãe que não é perfeita", Isabel Stilwell, nas Amoreiras, em Lisboa! O filho vai divertir-se, de certeza e não será consigo!

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Pobres crianças cujos pais se demitem de as educar!

Espanta-me a falta de clarividência de quem teve a ideia, a desenvolveu e a aprovou. Falo de algumas dezenas de pessoas dos publicitários aos decisores na empresa de telecomunicações – provavelmente, gente sem filhos, ou que os tem e serão exactamente iguais às detestáveis criancinhas que passam no filme e, por isso, não estranham.

Os Fonseca têm um par de gémeas, mal-educadas, que não sabem partilhar nada e que gritam pelo pai, de cada vez que entram em conflito, seja por um alimento ao pequeno-almoço, uma peça de roupa numa loja ou qualquer outra coisa, em vários momentos do dia. Os gritos desaparecem quando, cada uma, com pouco mais de dez anos, tem um telemóvel na mão e, caladas, seguem na parte detrás do carro, enquanto a mãe, num sorriso diz "boa, pai", agradecendo ao iluminado progenitor a excelente ideia.



Recompensas às crianças mal-educadas, para que não mudem, para que assim se mantenham e não infernizem a vida dos pais – o pior será na escola, no ballet (que isto são meninas de andar no ballet), no piano, no inglês, em casa da avó... Aí, os outros que as aturem!
Lamentável um anúncio que promove a má educação, crianças que não sabem partilhar, brincar em conjunto, serem companheiras. Crianças controladas por telemóveis e outros ecrãs. Pobres crianças cujos pais se demitem de as educar! E que são mostradas na televisão como um exemplo a seguir.
BW

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Quem conseguiu mais colocações?

Foto Nuno Ferreira Santos/PÚBLICO
Uns com tantos e outros sem nada...
Há professores que conseguiram ficar colocados em meia dúzia, uma dúzia de escolas. Agora, é só escolher e depois os restantes horários voltam a concurso.
Contente, o Ministério da Educação já fez saber às escolas que podem voltar a pedir professores para que a plataforma volte a abrir e para que os docentes se possam candidatar aos novos horários. And goes on and on and on... Com esta brincadeira chegaremos ao Natal e ainda haverá alunos sem professores.
Entretanto, o primeiro-ministro foi ao Parlamento admitir que sim, o ministério de Nuno Crato errou, mas que agora está a "reparar o erro". Estamos todos muito mais descansados!
Lamentável.
BW

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Visitar Castelo de Vide com as escolas

Em Castelo de Vide, pode visitar a Sinagoga e descobrir como aquelas pequenas portas encerram grandes segredos e histórias.
Para as escolas, existem visitas de estudo gratuitas a partir de dois livros elaborados para o efeito. Para marcar, basta ligar para a Câmara (245908220) ou Posto de Turismo (245908227).


terça-feira, 7 de outubro de 2014

Se não se demitiu até agora, que se demita depois do problema resolvido, sff

É uma coisa anti-natura: os alunos não querem furos, querem aprender, querem professores.
OK, na primeira semana ainda vai. É giro, é divertido, está calor, os dias ainda são de Verão, cheiram a férias... Mas depois, depois há que pensar que há exames para fazer no final do ano. Há matéria para aprender e ninguém quer ter aulas extra – nem alunos, nem professores. Por que têm de ser castigados pela incompetência do ministério?
As escolas mais afectadas são as que têm contratos de autonomia e as que estão em Territórios de Intervenção Prioritária (TEIP). Neste último caso, as escolas que recebem as crianças mais frágeis, as que mais precisam, as dos bairros, as que os pais trabalham e não têm onde as deixar, as que as mães limpam escritórios de noite e de madrugada, as que passam fome, as que não sabem o que é o gosto pelo estudo, pelo conhecimento, enfim, as que mais precisam!
Recorde-se que estas escolas podiam escolher os seus professores. Afinal, não é fácil trabalhar com estes alunos, é preciso ter alguma predisposição, é preciso dar-lhes estabilidade... Mas este Governo, tão defensor da autonomia, cortou essa liberdade às escolas e agora estas são das principais prejudicadas com a falta de professores colocados.
Como Paulo Guinote lembra muito bem, Nuno Crato queria a implosão do ministro e conseguiu a explosão das escolas... Das escolas públicas, sublinhe-se.
Estará o ministro a fazer um enorme favor ao privado, em nome da liberdade de escolha? Porque nas escolas do sistema privado as aulas decorrem com toda a normalidade, os alunos têm todos os professores, estão a dar matéria e a preparar-se para os exames. Vai ser interessante olhar para os rankings, em Outubro de 2015.
Compreende-se a ideologia neoliberal deste Governo que se diz social-democrata mas que nada percebe de social democracia: dar cabo do sistema público de ensino, dar cabo das oportunidades dos que menos podem. Vergar a classe média remedidada e os pobres, não lhes dar acesso à educação, fomentar desigualdades, oferecer-lhes o profissional e tecnológico que não têm capacidades para mais. Estarei a exagerar?...
O ministro espera que tudo se resolva até à próxima semana.
Os professores, pais e alunos esperam que, depois da situação estar resolvida, o ministro se demita, já que não teve, até agora, a hombridade para tal.
BW

domingo, 5 de outubro de 2014

Casava-me já contigo, outra vez

«O casamento é só uma palavra: é verdade. Mas também pode ser a vontade de casarmos e ficarmos casados, todos os dias, com a mesma pessoa que amamos.»
Miguel Esteves Cardoso

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Amanhã deve chegar uma nova remessa de professores à escola

Na terceira semana de aulas, há turmas em que faltam seis professores, noutras três, noutras um, noutras aquele que há-de ser o director de turma.
"Parece que amanhã deve chegar uma nova remessa de professores à escola", ouço dizer, numa conversa entre alunos. Retenho a palavra "remessa". Um professor é como um conjunto de livros que chega à biblioteca ou de várias paletes de leite escolar para o refeitório. Como se fossem mais uma de tantas encomendas que as escolas fazem.
"Preciso de três professores de Matemática", grita a directora da escola para dentro do intercomunicador do drive-in de fast food. Avança com o carro e ao chegar à janelinha é informada: "Hoje não temos. Volte noutro dia..." E, enquanto isso, já passaram 12 dias úteis desde que as aulas começaram. Quantas aulas perdidas? Quanta matéria por dar? Como vão ser os estudantes preparados para os exames?
Os professores são tratados como objectos. A entidade empregadora não tem qualquer respeito por eles mas exige-lhes que façam o melhor trabalho, mesmo sem condições.
O professor de Filosofia foi colocado na sua primeira opção, na escola que tem o nome da sua filha, naquela onde sempre quis dar aulas, confessa, feliz, aos alunos. Foi colocado a tempo e horas e dá as boas-vindas a todos. Propõe-lhes jogos, adivinhas; coloca-lhes questões; põem-nos a pensar no sentido da vida; cria uma conta de email para cada turma, para que todos o possam contactar sempre que tenham dúvidas; decora o nome dos alunos; percebe quais são os que estão ali porque querem aprender e os que ali estão porque não. E, oito dias depois de estar colocado, enturmado, a criar rotinas, é informado: "O senhor está aqui por engano. Tem de sair."
Como fica este docente? Está motivado para recomeçar tudo noutro sítio? Terá outro sítio onde recomeçar?
Como é que o ministro que respeita tanto os professores brinca assim com as suas vidas?
Como é que se espera que estes profissionais sejam respeitadas pelos alunos, pelos pais, pelos outros colegas?
O início do ano lectivo é sempre turbulento, nunca nada está pronto a tempo e horas, dizemos encolhendo os ombros. Mas nunca foi assim. Quer dizer, foi assim noutros tempos, há muito tempo! Nos últimos anos, a máquina estava oleada e os professores estavam nas escolas a tempo e horas; a tempo de participarem nas reuniões de preparação do início do ano lectivo; a tempo de conhecerem a escola, os colegas, os cantos à casa, as rotinas...
Esperemos que amanhã chegue uma nova remessa. A última, sff., para ver se o ano lectivo finalmente começa.
BW

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O colega explique aí à jornalista

A sala do pavilhão está cheia, conto cabeças, mais de uma centena. Há caras conhecidas, gente que passou por governos anteriores. Todos são professores. O tema é quente: público e privado ou público vs privado.
São poucos os que estão do privado, a maioria é do público e o discurso estou cansadinha de o ouvir: os alunos não são os mesmos, nós temos os piores, aqueles cujos "paizinhos" não querem saber, nem sequer ouvir falar da escola... os rankings, ai os rankings... a comunicação social está sempre em cima da escola pública...
Eu adoro rankings e sei o quão mal feitos são. Mas também sei – e estamos sempre a salvaguardar isso no PÚBLICO – que não se podem comparar escolas que levam centenas de alunos a exame com outras que levam meia dúzia; nem escolas vocacionadas para o prosseguimento de estudos com as que não têm essa vocação, nem escolas no centro das grandes cidades com as do interior do país.
Embora seja moderadora, volta e meia faço uma achega às palavras dos principais intervenientes para completar uma ou outra ideia e a páginas tantas digo: quando olhamos para os rankings o que vemos é que os alunos das escolas públicas e das privadas que estão no topo da tabela são os mesmos. São miúdos que querem entrar na universidade, que precisam das notas, cujos pais são licenciados e pessoas preocupadas com a educação. São a mesma massa".
Do fundo da sala pede a palavra a professora que trabalha na escola pior do concelho, aquela que está a ficar sem alunos e os que lá ficam são os piores, os que não estudam, os dos currículos alternativos, identifica a docente. Dirige-se ao director Filinto Lima, que está na mesa e diz-lhe: "O colega explique à jornalista que a massa – não sei qual é a massa, se é esparguete – não é a mesma, ela não deve saber o que são alunos PIEF [Plano Integrado de Educação e Formação], que isto agora é tudo por siglas..."
Enquanto a professora fala, dirigindo-se ao colega, para desconforto do mesmo, e não a mim, penso: Não há uma cadeira de "boa educação" nos cursos para professores? Ou um módulo de "saber estar em sociedade"? Senhor ministro, na prova não pode fazer-lhes uma oral de "como se dirigir a pessoas que não sejam professores"? Porque falarem umas com as outras, sabem as senhoras professoras, mas com os alunos, com os pais e outros membros da sociedade as dificuldades revelam-se evidentes. Talvez seja o ambiente, sim, a culpa deve ser dos alunos com que lida diariamente e dos pais. Por isso, fala como eles, é isso, continuo nos meus pensamentos.
Quando termina, sorrio-lhe e clarifico: "A massa é a mesma nessas escolas, não na sua e eu sei o que são alunos PIEF, assim como sei que não é fácil trabalhar com eles. Mas, os alunos das escolas de que falava são filhos de pais da mesma classe social com as mesmas preocupações e têm milhares de horas de explicações e sobre isso, os professores também deveriam reflectir. Porque são precisas tantas explicações para ir a exame?" 
Compreendo a frustração que é trabalhar com alunos que não querem estudar, que estão desmotivados. Compreendo que não é fácil fazer projectos, planos, procurar incluir a comunidade, os pais, e tudo sair furado. Compreendo a revolta. Tudo, menos a falta de educação vinda de alguém que deve ser a primeira a dar o exemplo porque é uma professora. Em tempos idos, chamar-lhe-iam "mestra".
BW


Os "paizinhos" não valem nada

A classe docente sente-se isolada. Nem quando tem os pais do seu lado, consegue vê-los.
Há dias, num grupo do facebook, no qual estou porque me convidaram, mas onde estão maioritariamente professores, uma docente escreve: "Os paizinhos andam a dormir. Se os meninos têm mais um dia de férias começam logo a refilar porque não têm onde deixar os rebentos. Agora ninguém diz nada!"
Estava a professora a referir-se à falta de professores na escola mas quando me chamam "paizinhos", sobe-me a mostarda ao nariz. Acho de uma falta de chá que não resisti a responder: "Que professor merece respeito quando fala assim dos pais? "Paizinhos" ou "pais"? Se não fossem os pais, os professores não tinham matéria-prima para ensinar. Respeite para não ser chamada de "professoreca"."
Pouco depois, a professora responde-me do alto da sua sabedoria: "Eu sou mãezinha e professoreca. É preciso ser inteligente para decifrar este post."
Estúpida, Bárbara, toma lá para aprenderes!

Mas há uma outra colega que sentiu a necessidade de ser pedagógica: "Bárbara Wong, a colega não criticou os pais, apenas disse que andavam a dormir pois há escolas onde faltam mesmo muitos professores. Eu enquanto mãe não tolero que isso aconteça nesta altura do ano. Ao meu filho falta-lhe um professor e já mandei reclamações para vários sítios. As aulas já iniciaram praticamente há 15 dias e é inadmissível ainda não estar um professor colocado naquela vaga. Tenho um agrupamento ao pé de casa onde faltam 41 professores. Você acha isso normal? Pois eu não acho e sou mãe!"
Mas a professora acredita que eu não compreendi o que a sua colega queria dizer? Eu percebo, não gosto é que chamem "paizinhos" a um parceiro educativo. E por mim a conversa acabou.

Só que faltava a professora indignada porque há uma "mãezinha" que entra em diálogo. Então, ainda não sabe que os professores não podem nunca ser questionados e tudo o que dizem é verdade? Ai, ai, ai...
"Agora chama-se matéria-prima aos alunos! A D. Bárbara deu a sua opinião através da escrita!! Aprendeu a escrever sozinha? Reforça a ideia de que alguns "paizinhos" andam a dormir; ou melhor nunca acordaram para a realidade que é ter um filho, ter alguém que devem cuidar e educar. A forma como muitos agem não são dignos de serem chamados "paizinhos" quanto mais de PAIS! A D. Bárbara não entre em disputa comigo porque não lhe vou responder mais! Sei o que pretende"
A D. Bárbara é respeitadora e não entra em "disputa" até porque a D. Bárbara não sabe "o que pretende", nem sabe o que responder a alguém que destila ódio pelos pais que não merecem ter filhos - talvez fosse de criar um órgão nacional onde estivesse esta professora a decidir quem pode ou não ter descendentes.
A D. Bárbara gosta de diálogos construtivos por isso, não sabe do que a professora está a falar. O que a D. Bárbara sabe é que a docente na sua escrita revela estar confusa ou furiosa com o mundo. A D. Bárbara teme pelos alunos desta professora.
Um pormenor de menor importância: A D. Bárbara detesta que lhe chamem "dona", chamem-lhe "Bárbara", "menina Bárbara", "senhora" ou "senhora dona"; mas "dona" é que não. Nem "doutora", chamem-lhe "jornalista". Gostos não se discutem.
O comentário da senhora professora tem quatro "gostos", inclusive há uma colega que diz que já tinha pensado o mesmo (?!?): Toma lá, ó D. Bárbara, o que tu queres sabemos nós!

O último comentário é revelador da classe de alguma classe docente: "Os pais são ignorantes... se o não fossem valorizariam a educação dos seus filhos e saberiam lutar mais por estes direitos fundamentais!!"
Temi que terminasse com um "morte aos pais". Mas pronto, são só uns "ignorantes". As senhoras professoras é que são o suprassumo da inteligência! E devem ter nascido de geração espontânea! Não acredito que tivessem pais, porque se assim fosse seriam tods uns ignorantes, não mereciam ser pais, eram uns "paizinhos"...

A verdade, é que estas senhoras professoras em concreto não viram notícias nos últimos dias, não leram jornais, não ouviram rádio - acredito que estivessem ocupadas a preparar aulas e a conhecer os seus alunos - porque se o tivessem feito, teriam visto os pais às portas das escolas a protestar. Se passeassem pelas redes sociais, leriam as queixas dos pais porque faltam professores nas escolas. Portanto, os "paizinhos" estão do lado dos professores. Quer dizer, os pais acham que estão ao lado dos professores, mas têm um problema de perspectiva porque, na verdade, os professores estão lá tão em cima, mas tão em cima que não conseguem ver os pais.
Uma pena porque a união faz a força.
BW

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Chegar mais cedo para ter lugar na sala de aula

Na manhã de quarta-feira, ele apressou a irmã para saírem de casa mais cedo. "Despacha-te que tenho de chegar a horas!" Com a mochila feita de véspera, estava impaciente, esperando à porta de casa, enquanto ela dava os últimos retoques ao cabelo, vendo-se ao espelho de fugida. "Ui, estamos tão aplicados!", atirou-lhe, em tom de crítica, bem-humorada. Ele empurrou-a para a rua e fechou a porta com força.
Esta manhã, ouviu-se um "já estamos atrasados" em tom de desabafo e de desespero. E lá correm eles porta fora.
Passou a gostar da escola? É um aluno pontual e aplicado? Nem por isso. É o instinto de sobrevivência que o faz voar em direcção ao estabelecimento de ensino. É o querer ficar sentado na sala de aula onde as 32 carteiras são insuficientes para os 33 alunos inscritos. O último não terá lugar para se sentar e, por isso, não terá direito a entrar na sala de aula. Aconteceu ontem, com a professora a pedir ao último que entrou para ir à secretaria queixar-se que não tinha lugar.
Turmas de 33 alunos em salas que não comportam mais de 32 mesas?
Turmas de 33 alunos no último ano do secundário? Eles são grandes, enormes, e as salas foram desenhadas pelos arquitectos da Parque Escolar para os 25/28 previstos anteriormente.
Consegue um professor conhecer os 33 alunos daquela turma e os 33 de todas as outras turmas que vai leccionar durante o ano?
Consegue um professor ensinar 33?
Conseguem os 33 alunos aprender?
Duvido.
O ministro Nuno Crato disse que gostaria que a abertura do ano lectivo fosse “sobre os alunos, as turmas e a evolução que está a ser feita”. Sobre os alunos que não têm professores? Sobre os alunos que não têm lugar para se sentar na sala de aula? Sobre a evolução? Qual evolução? 
O sucesso escolar começa a construir-se no primeiro dia de aulas, diz Maria de Lurdes Rodrigues. Assim é, ele sai cedo para se conseguir sentar. Depois, é rezar para que aprenda alguma coisa com a meia dúzia de professores desmotivados que lhe aparecem à frente – em cinco, faltam três ser colocados – e com os 32 colegas que, tal como ele, por vezes, não sabem o que é estar numa sala de aula.
Entretanto, ele vai continuar a ser pontual: não há lugares marcados porque não há director de turma – faz parte do grupo dos que não foram ainda colocados.
BW

sábado, 12 de julho de 2014

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Memorial no exame Português

Os alunos que ontem apostaram em Saramago, acertaram.

No dia em que se celebram 4 anos da morte de José Saramago, o exame nacional de 12.º volta a privilegiar a obra do Nobel.

Num exame acessível, apenas com uma ou outra escolha múltipla onde os alunos escorregaram, a prova foi ao encontro do esperado.

Tratou-se de uma prova ajustada ao tempo e ao programa.

Prova e critérios disponíveis, em breve, aqui.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Exame nacional de Português - 12º ano

As apostas correram nos corredores ao longo deste terceiro período. À frente, esteve quase sempre Memorial do Convento (porque vai estar, em breve, retirado do programa, por obra e graça das novas metas curriculares) e Felizmente Há Luar! (que vai mesmo desaparecer de cena).
Especulou-se quanto à matéria do 11.º ano que será, pela primeira vez, incluída. Apostou-se no estilo queirosiano (já que das obras específicas não se esperam questões, pois diferentes escolas podem ter selecionado obras distintas). Alguns rezaram por Cesário (por terem estudado poesia este ano um período quase inteiro). Não valorizaram o nosso estimado Pe António Vieira, mas, ao mesmo tempo, pareciam estar confiantes, pois «com aquilo dos peixes é fácil de perceber onde é que ele quer chegar». Frei Luís de Sousa seria bom, diziam outros. Não gostaram da «lamechice», mas foi fácil. «O *romanticismo é canja». [Urge intervir na conversa e corrigir: é romantismo!] A questão mais importante é perceber que nesta peça, o sebastianismo, afinal, é visto negativamente: em Os Lusíadas, D. Sebastião é o rei, o homem a quem o poeta dedica o poema e a quem, ao mesmo tempo, apela. Em Mensagem, representa a esperança e é, por isso, simbólico. «No Frei», como dizem os alunos, que tudo tendem a simplificar, Maria e Telmo esperam por D. Sebastião. Mas a chegada do "desejado" traz, afinal, a desgraça da família.
Esperemos que a chegada, amanhã, do exame, não traga também desgraças. À hora do almoço, já todos saberemos o que saiu....


A prova e critérios aparecerão aqui.

Prova final de ciclo - Português, 9.º ano

Hoje foi dia de prova para os alunos do 9.º ano.
Expectativas goradas, tanto no que diz respeito aos autores que os alunos (e professores) esperavam ver contemplados, tanto quanto à gramática. Sim, também creio que a média nacional vai subir. Associo o texto do Machado de Assis a uma introdução suave das Novas Metas Curriculares, que vão, naturalmente, em breve, estar em pleno nas nossas escolas.
No entanto, e apesar da aparente facilidade da prova, não sei se, por exemplo, logo a primeira frase do texto ("– Olhe do que vosmecê escapou – disse o almocreve") não terá deixado muitos alunos atarantados. Note-se que a lista de vocabulário incluía 11 palavras, algumas, efetivamente, fora da realidade e conhecimento dos alunos.
A prova e respetivos critérios de classificação estão disponíveis aqui.
Leia mais opiniões sobre a prova aqui.