quarta-feira, 20 de maio de 2015

A escola é uma merda

"Não há nenhum respeito por nós, nem pelo professor. A escola é uma merda", diz-me ela a chorar. Não sou capaz de a repreender pela asneira dita, mas faço uma nota mental "quando isto passar, digo-lhe que não pode dizer asneiras".
A duas semanas de as aulas acabarem, faltam apenas cinco tempos lectivos naquela disciplina, o professor que esteve de baixa um ano inteiro decide regressar. Tem de regressar, para continuar a ser docente naquela escola, tem de voltar porque a baixa terminou ou porque sim, não quero saber.
É este professor que não esteve com as turmas que vai agora avaliá-las, depois de todo o trabalho que o outro docente levou a cabo? Parece que sim.
E a escola acha normal. É assim... O sistema é assim... As regras são assim e não há como não cumpri-las. A direcção encolhe os ombros e siga para bingo, que se lixem os miúdos, que se lixe o professor que sempre soube que era substituto, bem-vindo colega que já sabemos que para o ano vai voltar a ficar de baixa, mas não se preocupe que depois virá um substituto, não sabemos é se será tão bom como este, mas o importante é que é um colega, mais um colega. Ah, os colegas...
"Não há nenhum respeito por nós, nem pelo professor. A escola é uma merda".
Não há respeito pelos alunos que, pela primeira vez na sua vida no secundário tiveram um professor com "P" grande. O único a quem eles não faltam ao respeito – "um dia tenho de ir ver as aulas do colega", diz a directora de turma quando confrontada com esse facto. Talvez tenha alguma coisa a aprender com o colega, continua, pouco convencida... Como se já tivesse aprendido tudo, como se nada mais houvesse para aprender, sem qualquer humildade que isso é para os das ciências sociais, os das exactas têm certezas absolutas, por exemplo, têm a certeza absoluta que as suas cadeiras são as mais importantes!
O único que os põe a pensar – ah, mas a disciplina também se presta a isso, é Filosofia... Bom, mas os meninos já tiveram antes Filosofia e só empinaram.
O único que os contacta via email, com trabalhos, com partilhas, com incentivos, com sugestões.
O único que os cativa, que lhes propõe tarefas diferentes, que lhes ralha com razão, que não os diminui, não os ridiculariza, não os atormenta – como a professora que lhes disse: "Façam o que façam nos exames, vão ter péssimas notas porque os professores estão muito desmotivados com este ministério."
O único que é Professor.
O professor explica a situação. Despede-se. Os alunos choram e abraçam-no. Querem lutar por ele, conta-me ela, entre soluços. Vão fazer um abaixo-assinado, uma petição. Vão juntar as turmas todas. Querem ir ao ministério. Sorrio, complacente, quase cínica. Como é bela e inocente a adolescência! "Sim, vale a pena lutar!", incentivo-a. Ela está a aplicar o que lhe ensinamos. Os colegas estão a aplicar o que aprenderam com o professor. A pensarem, a serem cidadãos, a lutar pelos seus direitos, e têm os pais do seu lado. Espero que a escola não encolha os ombros.
BW

terça-feira, 19 de maio de 2015

Provas finais de ciclo de Português, 4º e 6º anos

Estranho os parcos e antagónicos comentários às provas finais de ciclo.

Quanto à do 4.º ano, houve quem a classificasse como fácil, outros como desadequada à faixa etária e metas. Atendendo a que, ao contrário de anos anteriores, o texto informativo não continha linguagem particularmente técnica, por se tratar de um excerto de um livro adequado ao 1.º ciclo ("A minha primeira enciclopédia") e o texto literário fazia parte do corpus proposto pelas metas, parece-me que a escolha textual foi acertada. Quanto ao questionário, também este se me afigura como grau de dificuldade adequado ao 4.º ano.

Relativamente à prova de hoje, 6.º ano, poucos ou nenhuns comentários. E o padrão repete-se: texto informativo de complexidade adequada (Enciclopédia Fleurus Juvenil) e excerto de Ali Babá e os quarenta ladrões, obra também recomendada pelas metas. De igual modo, as perguntas de interpretação tinham formulação e grau de complexidade adequados. Quanto à gramática, as perguntas foram inócuas, sem oblíquos, quantificadores ou modificadores.

Resumindo, um clima de harmonia "textual" com as metas, mas sem levantar celeumas ou discussões. Claro! Qualquer mau resultado nestas provas condenaria os novos programas e metas. O sucesso das classificações, que se conhecerão em junho, será motivo para reiterar a sua validade. Alegrar-me-ei, futuramente, com o sucesso dos alunos. Questiono agora o que se anda a fazer no ensino. Aguardemos pelas provas de matemática e vejamos o que as mesmas nos dizem. 

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Critérios de classificação das provas finais de ciclo e exames

É no site do IAVE que pode encontrar as provas de Português e Matemática e os respetivos critérios de classificação.
Poucas horas depois da realização das mesmas, são aqui disponibilizadas estas informações.

domingo, 17 de maio de 2015

Mais uma época de exames

Esta semana, abre oficialmente  a nova época de exames, com os alunos do 4.º e 6.º anos a serem avaliados.
As provas finais de ciclo de Matemática e Português visarão atestar o conhecimento adquirido e as competências desenvolvidas ao longo dos respetivos ciclos. Psicólogos e professores concordarão na importância da avaliação e nos processos cognitivos que a mesma gera, consolidando os saberes. Todavia, a grande questão que estes exames e provas finais nos colocam é em tudo semelhante à que se nos colocou em anos anteriores e diz respeito a esta espécie de obsessão que está a tomar conta da nossa Escola, que tudo quer avaliar e certificar, ainda que:
- com programas/metas discutíveis e controversos;
- timmings desadequados aos do ritmo das escolas;
- professores sobrecarregados com tarefas letivas e reuniões de classificação de provas, etc.
Todos conhecemos escolas onde, no 1.º ciclo, o Estudo do Meio foi relegado para segundo plano, a fim de preparar os meninos para as provas; todos ouvimos falar nas escolas que interrompem atividades letivas a fim de organizar o processo de avaliação; todos vimos notícias sobre a angústia dos professores, nomeadamente de matemática, decorrente da dificuldade em"dar" [literalmente "dar"] o programa até ao fim antes do exame, assumindo que é impossível treinar, deixar que os alunos interiorizem processos, muitos deles desadequados aos estádios de desenvolvimento, aspecto este em que, uma vez mais, professores e psicólogos estão de acordo.
Todos sabemos dos erros que estão a ser cometidos. Mas parece que "quem de direito" continua a insistir nesta cultura do pretenso rigor da avaliação.

A todos, professores e alunos, votos de uma boa época de exames!



sábado, 16 de maio de 2015

Preparar provas finais de ciclo e exames

É no site do Iave que se encontram as provas dos anos anteriores e respetivos critérios de classificação, que são uma importante ferramenta para os alunos se prepararem para as provas finais de ciclo de matemática e de português do 4.º e do 6.º anos.

Provas do 4.º ano aqui.
provas do 6.º ano aqui.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

A esquizofrenia de quem escreve pré-AO

Na terça-feira, um conjunto de professoras da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa organizaram um encontro contra o acordo ortográfico (AO). Convidaram-me para fazer uma pequena intervenção e aceitei o convite porque tenho uma dívida de gratidão para com a professora Cristina Pimentel, responsável pelo Centro de Estudos Clássicos daquela instituição e é quem nos revê (a mim e à Ana Soares) os livros do Olimpvs.net, além de produzir conteúdos para o nosso site. Como dizer que não?

A intervenção que preparei era curta. Mas tornou-se ainda mais curta, face ao adiantado da hora e ao número de pessoas que ainda iria falar. Aqui fica a versão completa:

A minha luta com o AO começou nos finais dos anos de 1990, na faculdade, quando este nos foi apresentado. “Mas que disparate!”, pensei, à medida que o professor nos falava a evolução da escrita do Português, das principais mudanças e de nós, os alunos, criticarmos coisas que nos pareciam tão estapafúrdias como “Egipto“ (sem "p") e “egípcio”. Lembro-me do professor relativizar e comentar que certamente também custou aos portugueses deixar de escrever farmácia com “ph”, como quem diz que era só uma questão de nos adaptarmos.

Passaram 20 anos, desde que fui apresentada ao acordo e não vou discuti-lo, antes falar da minha experiência do dia-a-dia. Ao meu texto chamei “a esquizofrenia de quem escreve ‘à antiga’” e passo a explicar:  Os meus dias são passados a editar textos. Edito textos de colegas que escrevem como eu e como todos os jornalistas do PÚBLICO, ‘à antiga’; mas também dos estagiários que escrevem com o novo acordo; dos comentadores e opinion makers que, uns escrevem à antiga e outros à moderna! E aos quais devo todo o meu respeito pelas suas decisões, embora saiba que muitos escrevem só porque o programa no computador os impele a fazê-lo. Nada mais.

Edito ainda as notícias da Lusa que escreve à moderna. E aí, os meus dedos no teclado estão entre o “c” e o “p”. Para quem ainda escreve ‘à antiga’, não imaginam a quantidade de “c”, sobretudo de “c” que caíram! Por exemplo, na frase “Este foi o primeiro estudo a quantificar os múltiplos factores ambientais que afectam o Oceano Antárctico” caíram três, a saber: factores, afectam, Antárctico.

Além de acrescentar letras, mudo minúsculas para maiúsculas nos meses do ano, nas estações do ano, nos pontos cardeais… Mais os hífens nos fins-de-semana, cor-de-rosa...

E, durante as minhas horas de expediente, cada take da Lusa que cai, se me interessa publicá-lo no site, é um texto que encho se “c” e “p” que se perderam pela linha da Internet.

Depois, quando saio do jornal e me sento à frente do meu computador, em casa, para escrever sobre heróis do Olimpvs.net ou livros para professores e pais, tenho de fazer o exercício oposto: tirar todos os “c” e os “p” porque não há editora que não se tenha rendido ao acordo!

Ah! Então o problema é só os “c” e os “p”, pensará a plateia. Não, é mais do que isso. O escrever com o acordo obriga-me a reformular frases, a dar voltas, a ser criativa só porque me recuso a escrever, por exemplo, “pára” sem acento. Um herói à altura de viver aventuras não “para”. Jamais “para para” falar com alguém. Ele “pára”, com acento. Mas como não o pode fazer com o novo acordo, um deus do Olimpo “estaca”, “abranda o passo até parar”, “detém-se perante o vilão”, mas nunca “para”.

Chamem-me velha do Restelo, mas os novos como os meus filhos adolescentes que são obrigados a escrever com o acordo sob pena de serem penalizados nos exames nacionais do secundário, acham-no igualmente estúpido. Também eles são uns velhos do Restelo. Saem à mãe!

Obrigada

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O que é um jornal?

E, de repente, no Colégio de Monte Maior, em Loures, descobri o porquê da quebra de vendas dos jornais.
A uma pergunta sobre como é que a Ana Soares e a Bárbara Wong têm tempo para escrever o Olimpvs.net, a primeira começa a explicar, para de imediato ser interrompida: "Nós não escrevemos só o Olimpvs. Nós temos os nossos trabalhos... Eu sou professora e a Bárbara é jornalista.."
– Jornalista?!? De que canal? –, perguntam as meninas que estão sentadas na primeira fila, entusiasmadas.
– Não é um canal, é um jornal –, respondo solicita e percebo que elas não fazem ideia do que estou a falar. Atrapalhada com o silêncio, faço um gesto, desenhando um rectângulo no ar: – Um jornal... em papel... que se folheia...
Estamos a falar para uma plateia constituída por meninos de 12 anos, de um colégio, com bons telefones nas mãos e pelo menos um tablet pousado nas pernas de um deles.
– Ah! Já sei! É aquela coisa que eles têm nas novelas, quando estão a tomar o pequeno-almoço! – diz uma delas, esclarecida.
A Ana, muito pedagógica, ainda fala da revista de imprensa que é feita nos canais noticiosos, mas eu corto-lhe a palavra:
– Sim, são aquelas folhas de papel que as personagens das novelas folheiam ao pequeno-almoço. Isso é um jornal.
Eles nunca viram um jornal à mesa do seu pequeno-almoço. É natural, ninguém come pequenos-almoços como os das novelas com sumos, diversos tipos de pão, bolos e frutas, compotas e cereais. Mas também nunca o viram na mesa do café? Na praia? Na esplanada? Parece que não.
BW

A importância de se chamar Wong

É sempre muito bom falar com os alunos nas escolas! Eles dizem coisas divertidas, umas vezes, e perturbantes, outras.
No Colégio de Monte Maior, em Montemor, Loures, os alunos de 6.º ano são os últimos a passar pelo auditório naquela sexta-feira, já ao final do dia. Estão cansados e há quase meia-dúzia que não resiste e vai fechando os olhos, sem conseguir ouvir o que eu e a Ana Soares dizemos. Mas, no final da apresentação, acordam e, recuperada a energia, fazem perguntas, muitas!
Há uma pergunta que é raro não ser feita nas apresentações Olimpvs.net: porque razão eu me chamo Wong. É natural, se há ministros e reitores que o perguntam porque não hão-de fazer os mais pequenos?
Respondo de forma abreviada ou mais explicada conforme a pergunta me é feita. Há um ano, numa escola no Ribatejo um aluno colocou a questão, ao mesmo tempo que cotovelava os colegas, prontos para começarem a rir, mal eu desse a resposta: fui seca, quase mal educada como os garotos estavam a ser. Arrependi-me no mesmo instante, mas naquele momento senti-me da idade deles, andei 30 anos para trás e vi os miúdos da minha escola a fazerem-me pirraça.
No início do mês, uma menina curiosa, em Bragança, perguntou de maneira delicada: "Há uma questão que nos intriga: por que se chama Wong?" Não resisti, dei uma gargalhada e expliquei.
Desta vez, em Montemor, a menina que pergunta está ao lado de outra que se parece muito com uma das minhas irmãs – com aquele tom de pele amarelado, os cabelos negros, lisos e compridos e os olhos rasgados. "Uma pergunta: de onde vem o seu nome?"
"Vem do meu pai que é chinês!", respondo simpática. "Mas não parece nada! A mãe dela é tailandesa...", diz-me. "Pois, já tinha percebido!", digo, olhando para a outra rapariga, tal e qual como a minha irmã, por onde passa dizem-lhe que parece tailandesa, vietnamita, índia...
Ela olha-me como se eu não tivesse estado à sua frente durante 50 minutos e concorda com a amiga. "O seu pai é chinês?! A senhora saiu muito mal misturada!...", repara com um tom quase zangado.
Pois, mesmo mal misturada sei o que é ser gozada no recreio ou dentro da sala de aula. Tal como ela deve saber, penso ao interpretar o seu tom ofendido.
BW

sábado, 10 de janeiro de 2015

nascemos, nascemos, nascemos

Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez.

Para quem quiser ver a vida está cheia de nascimentos.

Nascemos muitas vezes ao longo da infância
quando os olhos se abrem em espanto e alegria.
Nascemos nas viagens sem mapa que a juventude arrisca.

Nascemos na sementeira da vida adulta,
entre invernos e primaveras maturando
a misteriosa transformação que coloca na haste a flor
e dentro da flor o perfume do fruto.

Nascemos muitas vezes naquela idade
onde os trabalhos não cessam, mas reconciliam-se
com laços interiores e caminhos adiados.

Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez.
Nascemos quando nos descobrimos amados e capazes de amar.
Nascemos no entusiasmo do riso e na noite de algumas lágrimas.
Nascemos na prece e no dom.
Nascemos no perdão e no confronto.
Nascemos em silêncio ou iluminados por uma palavra.
Nascemos na tarefa e na partilha.
Nascemos nos gestos ou para lá dos gestos.
Nascemos dentro de nós e no coração de Deus.

José Tolentino Mendonça

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Sugestões de Natal - Poesia Espacial

Na Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, uma exposição temporária e gratuita, leva miúdos e graúdos a viajar e sonhar com a poesia espacial de Salete Tavares. Leve um bloco de papel e lápis. Deixe os mais novos escolher a sua peça preferida, retrata-la ou reinventa-la, descobrindo que todos podemos brincar aos poetas.
Inspire-se na arranha, aranhiço ou arranhão, no "Menino Ivo" ou no poema medieval dançante.

A peça "Supermarket", construída a partir de três ratoeiras pode levar a uma bela conversa sobre o que teria estado na sua origem e o consumismo.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Por que são importantes os rankings

Catorze anos depois, os rankings já não são uma mera ordenação das escolas com base nos resultado da 1.ª fase dos exames nacionais do secundário. Pelo menos no PÚBLICO – é engraçado observar como nos outros órgãos, à excepção do Jornal de Notícias, as listagens continuam a ser lidas de maneira tão simples e só se destacam as escolas que ficam em primeiro lugar –, desde que o Ministério da Educação e da Ciência (MEC) começou a oferecer mais dados, que houve a preocupação de os conseguir ler e interpretar. Essa análise só é possível graças aos professores Joaquim Azevedo e Conceição Portela, da Universidade Católica Portuguesa.

Para compreender como se fazem os rankings nos últimos anos, veja este vídeo.

Depois, é correr as listas de cima, abaixo, debaixo, acima, à procura de dados curiosos, à procura de histórias e é fantástico perceber o que está por detrás dos números, que escolas são aquelas que se destacam, pela positiva ou pela negativa. Há muito que no PÚBLICO deixámos de ir a correr à escola mais bem colocada, que tem sido sempre uma privada, para oferecermos aos leitores o óbvio: famílias preocupadas com a educação, que o transmitem aos filhos (e não só, há cultura, há métodos de trabalho que são fruto da educação parental e não da escola), professores e direcções empenhadas, etc. Este ano fomos à pública mais bem classificada, que já não está em Coimbra, em Lisboa ou no Porto, mas nas Caldas da Rainha; e também fomos à escola que mais se superou.

Queremos espantar os leitores, como nós próprias nos espantamos quando ouvimos, por exemplo, uma directora dizer que a indisciplina contribui (em muito) para o insucesso – facto que há muito está estudado –, mas foi por isso que as medidas assumidas pela sua escola não são só de mais apoio académico aos alunos, mas, sobretudo, de mais disciplina.
É importante observarmos como as escolas mais isoladas, localizadas em zonas mais deprimidas sentem tanta dificuldade em descolar do fim das tabelas. Muitas conseguem. É assustador ouvir um director contar que é preciso ir chamar os alunos a casa, para fazerem os exames e que estes adormecem; ou uma professora descrever como é o seu dia-a-dia quando tem de dar aulas a crianças de anos de escolaridade diferentes com dificuldades cognitivas e enorme desinteresse – como é que podem competir com as grandes escolas? Com os alunos cujos pais trabalham? Com os colegas cujos pais dão importância à educação?
Mas estes pais existem e motivam os seus filhos! Aliás, mesmo nas escolas onde os resultados são baixos, há sempre estudantes que brilham, como é o caso de Hélder Antunes, da escola de Campo, em Valongo.

Apesar dos resultados terem melhorado este ano, nunca as escolas públicas estiveram tão longe dos lugares do topo do ranking e, para isto, contribuem em muito as más políticas do MEC, como a colocação dos professores; ou a atribuição de prémios àquelas que já se destacaram, portanto, o dar rebuçados aos meninos que já estão habituados a comê-los, não chegando os doces para os que não sabem o que isso é.

No PÚBLICO há ainda espaço para opinião, muita opinião, variadíssima, contra e a favor; para entrevista; e, claro, para as listagens, com possibilidade de poder brincar com as mesmas – qual a escola que obtém o melhor resultado no distrito? no conelho? na cidade? Está tudo aqui!
BW

domingo, 30 de novembro de 2014

Bons resultados escolares não se conjugam com professores desmotivados e zangados

Dos vários artigos que li sobre os rankings, entre o Expresso e o PÚBLICO, fiquei com o seguinte início de um texto na memória. Reproduzo-o abaixo:
«Bons resultados escolares não conjugam por norma com “professores muito desmotivados e zangados”. E é neste estado de espírito, palpável nas escolas públicas, que a directora do Colégio Moderno, de Lisboa, Isabel Soares, encontra uma das razões que levaram este ano a mais um recuo daquelas no ranking das secundárias, que no PÚBLICO é elaborado com base nas médias obtidas nos oito exames mais concorridos.
Os colégios não se podem queixar de tal. Para além de estável, no Moderno o corpo docente também “acredita no projecto educativo” do colégio, frisa Isabel Soares em declarações ao PÚBLICO.
O Moderno ocupa o segundo lugar no ranking das secundárias de 2014, com um média de 14,2 valores (numa escala de 0 a 20). O primeiro volta a pertencer ao colégio Nossa Senhora do Rosário, no Porto, com um resultado de 14,41.

A frase que destaco a negrito aplica-se, em primeiro lugar, à dança de professores do público, como o título, bem interessante, do texto invoca. Refere-se, depois, a todas as dificuldades pelas quais os docentes do ensino público têm vindo a passar (de onde destaco o recente e vergonhoso processo de colocação, com consequências, em alguns casos, irremediáveis para os alunos). Aplica-se, ainda, ao ensino privado, cujo sucesso decorre não apenas das condições socio-económicas dos alunos que o frequentam (como muitas vezes é sugerido), mas depende em muito da adesão e dedicação de professores motivados por projetos educativos diferenciados, equipas coesas, valorização do trabalho de todos e de cada um.

sábado, 29 de novembro de 2014

Rankings das escolas 2014

Chegaram os rankings referentes ao ano letivo 2013/14. Nada de muito novo. Escolas que sobem, outras que descem. O privado nos lugares de destaque. Muito empenho e esforço de muitos diretores e professores que os números não retratam. Nuno Crato, ao Expresso, lastima a utilizaçao do estrangeirismo "ranking". Reconhece que o termo "ordenação", em português, fica aquém das leituras que se fazem destes números. E é verdade. E é também verdade que os pais têm o direito de ver e comparar. Devem, todavia, acreditar no esforço dos professores e, com eles, trabalhar para uma escola maior, melhor e mais feliz para todos.
O jornal PÚBLICO já nos habituou a um excelente trabalho de análise e reflexão sobre os dados. Este ano não foi exceção.
Aqui fica o link para quem quiser espreitar os resultados da escola dos seus filhos ou da sua antiga escola. Porque não?

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Novo livro Olimpvs.net - sugestão para o Natal dos mais novos

O sétimo volume da coleção Olimpvs.net já chegou às livrarias. Desta vez, a acção passa-se entre Gaia e o Porto. É nesta cidade, que Pedro (Poséidon) vai descobrir o seu passado mágico. Uma terrível epidemia assola a cidade e os cinco heróis são também contaminados. Em confrontos com Dioniso, encontram também as Ménades (as bacantes da mitologia romana) e os sátiros (faunos da versão romana).
Mais uma aventura da coleção com o selo do PNL a não perder!

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O novo livro de Isabel Stilwell para as mães

O convite é diferente e é já para este sábado. Pegue no seu filho e vá conversar com a autora do livro "Os dias de uma mãe que não é perfeita", Isabel Stilwell, nas Amoreiras, em Lisboa! O filho vai divertir-se, de certeza e não será consigo!

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Pobres crianças cujos pais se demitem de as educar!

Espanta-me a falta de clarividência de quem teve a ideia, a desenvolveu e a aprovou. Falo de algumas dezenas de pessoas dos publicitários aos decisores na empresa de telecomunicações – provavelmente, gente sem filhos, ou que os tem e serão exactamente iguais às detestáveis criancinhas que passam no filme e, por isso, não estranham.

Os Fonseca têm um par de gémeas, mal-educadas, que não sabem partilhar nada e que gritam pelo pai, de cada vez que entram em conflito, seja por um alimento ao pequeno-almoço, uma peça de roupa numa loja ou qualquer outra coisa, em vários momentos do dia. Os gritos desaparecem quando, cada uma, com pouco mais de dez anos, tem um telemóvel na mão e, caladas, seguem na parte detrás do carro, enquanto a mãe, num sorriso diz "boa, pai", agradecendo ao iluminado progenitor a excelente ideia.



Recompensas às crianças mal-educadas, para que não mudem, para que assim se mantenham e não infernizem a vida dos pais – o pior será na escola, no ballet (que isto são meninas de andar no ballet), no piano, no inglês, em casa da avó... Aí, os outros que as aturem!
Lamentável um anúncio que promove a má educação, crianças que não sabem partilhar, brincar em conjunto, serem companheiras. Crianças controladas por telemóveis e outros ecrãs. Pobres crianças cujos pais se demitem de as educar! E que são mostradas na televisão como um exemplo a seguir.
BW

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Quem conseguiu mais colocações?

Foto Nuno Ferreira Santos/PÚBLICO
Uns com tantos e outros sem nada...
Há professores que conseguiram ficar colocados em meia dúzia, uma dúzia de escolas. Agora, é só escolher e depois os restantes horários voltam a concurso.
Contente, o Ministério da Educação já fez saber às escolas que podem voltar a pedir professores para que a plataforma volte a abrir e para que os docentes se possam candidatar aos novos horários. And goes on and on and on... Com esta brincadeira chegaremos ao Natal e ainda haverá alunos sem professores.
Entretanto, o primeiro-ministro foi ao Parlamento admitir que sim, o ministério de Nuno Crato errou, mas que agora está a "reparar o erro". Estamos todos muito mais descansados!
Lamentável.
BW

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Visitar Castelo de Vide com as escolas

Em Castelo de Vide, pode visitar a Sinagoga e descobrir como aquelas pequenas portas encerram grandes segredos e histórias.
Para as escolas, existem visitas de estudo gratuitas a partir de dois livros elaborados para o efeito. Para marcar, basta ligar para a Câmara (245908220) ou Posto de Turismo (245908227).


terça-feira, 7 de outubro de 2014

Se não se demitiu até agora, que se demita depois do problema resolvido, sff

É uma coisa anti-natura: os alunos não querem furos, querem aprender, querem professores.
OK, na primeira semana ainda vai. É giro, é divertido, está calor, os dias ainda são de Verão, cheiram a férias... Mas depois, depois há que pensar que há exames para fazer no final do ano. Há matéria para aprender e ninguém quer ter aulas extra – nem alunos, nem professores. Por que têm de ser castigados pela incompetência do ministério?
As escolas mais afectadas são as que têm contratos de autonomia e as que estão em Territórios de Intervenção Prioritária (TEIP). Neste último caso, as escolas que recebem as crianças mais frágeis, as que mais precisam, as dos bairros, as que os pais trabalham e não têm onde as deixar, as que as mães limpam escritórios de noite e de madrugada, as que passam fome, as que não sabem o que é o gosto pelo estudo, pelo conhecimento, enfim, as que mais precisam!
Recorde-se que estas escolas podiam escolher os seus professores. Afinal, não é fácil trabalhar com estes alunos, é preciso ter alguma predisposição, é preciso dar-lhes estabilidade... Mas este Governo, tão defensor da autonomia, cortou essa liberdade às escolas e agora estas são das principais prejudicadas com a falta de professores colocados.
Como Paulo Guinote lembra muito bem, Nuno Crato queria a implosão do ministro e conseguiu a explosão das escolas... Das escolas públicas, sublinhe-se.
Estará o ministro a fazer um enorme favor ao privado, em nome da liberdade de escolha? Porque nas escolas do sistema privado as aulas decorrem com toda a normalidade, os alunos têm todos os professores, estão a dar matéria e a preparar-se para os exames. Vai ser interessante olhar para os rankings, em Outubro de 2015.
Compreende-se a ideologia neoliberal deste Governo que se diz social-democrata mas que nada percebe de social democracia: dar cabo do sistema público de ensino, dar cabo das oportunidades dos que menos podem. Vergar a classe média remedidada e os pobres, não lhes dar acesso à educação, fomentar desigualdades, oferecer-lhes o profissional e tecnológico que não têm capacidades para mais. Estarei a exagerar?...
O ministro espera que tudo se resolva até à próxima semana.
Os professores, pais e alunos esperam que, depois da situação estar resolvida, o ministro se demita, já que não teve, até agora, a hombridade para tal.
BW