quinta-feira, 13 de Novembro de 2014

O novo livro de Isabel Stilwell para as mães

O convite é diferente e é já para este sábado. Pegue no seu filho e vá conversar com a autora do livro "Os dias de uma mãe que não é perfeita", Isabel Stilwell, nas Amoreiras, em Lisboa! O filho vai divertir-se, de certeza e não será consigo!

segunda-feira, 10 de Novembro de 2014

Pobres crianças cujos pais se demitem de as educar!

Espanta-me a falta de clarividência de quem teve a ideia, a desenvolveu e a aprovou. Falo de algumas dezenas de pessoas dos publicitários aos decisores na empresa de telecomunicações – provavelmente, gente sem filhos, ou que os tem e serão exactamente iguais às detestáveis criancinhas que passam no filme e, por isso, não estranham.

Os Fonseca têm um par de gémeas, mal-educadas, que não sabem partilhar nada e que gritam pelo pai, de cada vez que entram em conflito, seja por um alimento ao pequeno-almoço, uma peça de roupa numa loja ou qualquer outra coisa, em vários momentos do dia. Os gritos desaparecem quando, cada uma, com pouco mais de dez anos, tem um telemóvel na mão e, caladas, seguem na parte detrás do carro, enquanto a mãe, num sorriso diz "boa, pai", agradecendo ao iluminado progenitor a excelente ideia.



Recompensas às crianças mal-educadas, para que não mudem, para que assim se mantenham e não infernizem a vida dos pais – o pior será na escola, no ballet (que isto são meninas de andar no ballet), no piano, no inglês, em casa da avó... Aí, os outros que as aturem!
Lamentável um anúncio que promove a má educação, crianças que não sabem partilhar, brincar em conjunto, serem companheiras. Crianças controladas por telemóveis e outros ecrãs. Pobres crianças cujos pais se demitem de as educar! E que são mostradas na televisão como um exemplo a seguir.
BW

sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

Quem conseguiu mais colocações?

Foto Nuno Ferreira Santos/PÚBLICO
Uns com tantos e outros sem nada...
Há professores que conseguiram ficar colocados em meia dúzia, uma dúzia de escolas. Agora, é só escolher e depois os restantes horários voltam a concurso.
Contente, o Ministério da Educação já fez saber às escolas que podem voltar a pedir professores para que a plataforma volte a abrir e para que os docentes se possam candidatar aos novos horários. And goes on and on and on... Com esta brincadeira chegaremos ao Natal e ainda haverá alunos sem professores.
Entretanto, o primeiro-ministro foi ao Parlamento admitir que sim, o ministério de Nuno Crato errou, mas que agora está a "reparar o erro". Estamos todos muito mais descansados!
Lamentável.
BW

quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

Visitar Castelo de Vide com as escolas

Em Castelo de Vide, pode visitar a Sinagoga e descobrir como aquelas pequenas portas encerram grandes segredos e histórias.
Para as escolas, existem visitas de estudo gratuitas a partir de dois livros elaborados para o efeito. Para marcar, basta ligar para a Câmara (245908220) ou Posto de Turismo (245908227).


terça-feira, 7 de Outubro de 2014

Se não se demitiu até agora, que se demita depois do problema resolvido, sff

É uma coisa anti-natura: os alunos não querem furos, querem aprender, querem professores.
OK, na primeira semana ainda vai. É giro, é divertido, está calor, os dias ainda são de Verão, cheiram a férias... Mas depois, depois há que pensar que há exames para fazer no final do ano. Há matéria para aprender e ninguém quer ter aulas extra – nem alunos, nem professores. Por que têm de ser castigados pela incompetência do ministério?
As escolas mais afectadas são as que têm contratos de autonomia e as que estão em Territórios de Intervenção Prioritária (TEIP). Neste último caso, as escolas que recebem as crianças mais frágeis, as que mais precisam, as dos bairros, as que os pais trabalham e não têm onde as deixar, as que as mães limpam escritórios de noite e de madrugada, as que passam fome, as que não sabem o que é o gosto pelo estudo, pelo conhecimento, enfim, as que mais precisam!
Recorde-se que estas escolas podiam escolher os seus professores. Afinal, não é fácil trabalhar com estes alunos, é preciso ter alguma predisposição, é preciso dar-lhes estabilidade... Mas este Governo, tão defensor da autonomia, cortou essa liberdade às escolas e agora estas são das principais prejudicadas com a falta de professores colocados.
Como Paulo Guinote lembra muito bem, Nuno Crato queria a implosão do ministro e conseguiu a explosão das escolas... Das escolas públicas, sublinhe-se.
Estará o ministro a fazer um enorme favor ao privado, em nome da liberdade de escolha? Porque nas escolas do sistema privado as aulas decorrem com toda a normalidade, os alunos têm todos os professores, estão a dar matéria e a preparar-se para os exames. Vai ser interessante olhar para os rankings, em Outubro de 2015.
Compreende-se a ideologia neoliberal deste Governo que se diz social-democrata mas que nada percebe de social democracia: dar cabo do sistema público de ensino, dar cabo das oportunidades dos que menos podem. Vergar a classe média remedidada e os pobres, não lhes dar acesso à educação, fomentar desigualdades, oferecer-lhes o profissional e tecnológico que não têm capacidades para mais. Estarei a exagerar?...
O ministro espera que tudo se resolva até à próxima semana.
Os professores, pais e alunos esperam que, depois da situação estar resolvida, o ministro se demita, já que não teve, até agora, a hombridade para tal.
BW

domingo, 5 de Outubro de 2014

Casava-me já contigo, outra vez

«O casamento é só uma palavra: é verdade. Mas também pode ser a vontade de casarmos e ficarmos casados, todos os dias, com a mesma pessoa que amamos.»
Miguel Esteves Cardoso

terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Amanhã deve chegar uma nova remessa de professores à escola

Na terceira semana de aulas, há turmas em que faltam seis professores, noutras três, noutras um, noutras aquele que há-de ser o director de turma.
"Parece que amanhã deve chegar uma nova remessa de professores à escola", ouço dizer, numa conversa entre alunos. Retenho a palavra "remessa". Um professor é como um conjunto de livros que chega à biblioteca ou de várias paletes de leite escolar para o refeitório. Como se fossem mais uma de tantas encomendas que as escolas fazem.
"Preciso de três professores de Matemática", grita a directora da escola para dentro do intercomunicador do drive-in de fast food. Avança com o carro e ao chegar à janelinha é informada: "Hoje não temos. Volte noutro dia..." E, enquanto isso, já passaram 12 dias úteis desde que as aulas começaram. Quantas aulas perdidas? Quanta matéria por dar? Como vão ser os estudantes preparados para os exames?
Os professores são tratados como objectos. A entidade empregadora não tem qualquer respeito por eles mas exige-lhes que façam o melhor trabalho, mesmo sem condições.
O professor de Filosofia foi colocado na sua primeira opção, na escola que tem o nome da sua filha, naquela onde sempre quis dar aulas, confessa, feliz, aos alunos. Foi colocado a tempo e horas e dá as boas-vindas a todos. Propõe-lhes jogos, adivinhas; coloca-lhes questões; põem-nos a pensar no sentido da vida; cria uma conta de email para cada turma, para que todos o possam contactar sempre que tenham dúvidas; decora o nome dos alunos; percebe quais são os que estão ali porque querem aprender e os que ali estão porque não. E, oito dias depois de estar colocado, enturmado, a criar rotinas, é informado: "O senhor está aqui por engano. Tem de sair."
Como fica este docente? Está motivado para recomeçar tudo noutro sítio? Terá outro sítio onde recomeçar?
Como é que o ministro que respeita tanto os professores brinca assim com as suas vidas?
Como é que se espera que estes profissionais sejam respeitadas pelos alunos, pelos pais, pelos outros colegas?
O início do ano lectivo é sempre turbulento, nunca nada está pronto a tempo e horas, dizemos encolhendo os ombros. Mas nunca foi assim. Quer dizer, foi assim noutros tempos, há muito tempo! Nos últimos anos, a máquina estava oleada e os professores estavam nas escolas a tempo e horas; a tempo de participarem nas reuniões de preparação do início do ano lectivo; a tempo de conhecerem a escola, os colegas, os cantos à casa, as rotinas...
Esperemos que amanhã chegue uma nova remessa. A última, sff., para ver se o ano lectivo finalmente começa.
BW

sexta-feira, 26 de Setembro de 2014

O colega explique aí à jornalista

A sala do pavilhão está cheia, conto cabeças, mais de uma centena. Há caras conhecidas, gente que passou por governos anteriores. Todos são professores. O tema é quente: público e privado ou público vs privado.
São poucos os que estão do privado, a maioria é do público e o discurso estou cansadinha de o ouvir: os alunos não são os mesmos, nós temos os piores, aqueles cujos "paizinhos" não querem saber, nem sequer ouvir falar da escola... os rankings, ai os rankings... a comunicação social está sempre em cima da escola pública...
Eu adoro rankings e sei o quão mal feitos são. Mas também sei – e estamos sempre a salvaguardar isso no PÚBLICO – que não se podem comparar escolas que levam centenas de alunos a exame com outras que levam meia dúzia; nem escolas vocacionadas para o prosseguimento de estudos com as que não têm essa vocação, nem escolas no centro das grandes cidades com as do interior do país.
Embora seja moderadora, volta e meia faço uma achega às palavras dos principais intervenientes para completar uma ou outra ideia e a páginas tantas digo: quando olhamos para os rankings o que vemos é que os alunos das escolas públicas e das privadas que estão no topo da tabela são os mesmos. São miúdos que querem entrar na universidade, que precisam das notas, cujos pais são licenciados e pessoas preocupadas com a educação. São a mesma massa".
Do fundo da sala pede a palavra a professora que trabalha na escola pior do concelho, aquela que está a ficar sem alunos e os que lá ficam são os piores, os que não estudam, os dos currículos alternativos, identifica a docente. Dirige-se ao director Filinto Lima, que está na mesa e diz-lhe: "O colega explique à jornalista que a massa – não sei qual é a massa, se é esparguete – não é a mesma, ela não deve saber o que são alunos PIEF [Plano Integrado de Educação e Formação], que isto agora é tudo por siglas..."
Enquanto a professora fala, dirigindo-se ao colega, para desconforto do mesmo, e não a mim, penso: Não há uma cadeira de "boa educação" nos cursos para professores? Ou um módulo de "saber estar em sociedade"? Senhor ministro, na prova não pode fazer-lhes uma oral de "como se dirigir a pessoas que não sejam professores"? Porque falarem umas com as outras, sabem as senhoras professoras, mas com os alunos, com os pais e outros membros da sociedade as dificuldades revelam-se evidentes. Talvez seja o ambiente, sim, a culpa deve ser dos alunos com que lida diariamente e dos pais. Por isso, fala como eles, é isso, continuo nos meus pensamentos.
Quando termina, sorrio-lhe e clarifico: "A massa é a mesma nessas escolas, não na sua e eu sei o que são alunos PIEF, assim como sei que não é fácil trabalhar com eles. Mas, os alunos das escolas de que falava são filhos de pais da mesma classe social com as mesmas preocupações e têm milhares de horas de explicações e sobre isso, os professores também deveriam reflectir. Porque são precisas tantas explicações para ir a exame?" 
Compreendo a frustração que é trabalhar com alunos que não querem estudar, que estão desmotivados. Compreendo que não é fácil fazer projectos, planos, procurar incluir a comunidade, os pais, e tudo sair furado. Compreendo a revolta. Tudo, menos a falta de educação vinda de alguém que deve ser a primeira a dar o exemplo porque é uma professora. Em tempos idos, chamar-lhe-iam "mestra".
BW


Os "paizinhos" não valem nada

A classe docente sente-se isolada. Nem quando tem os pais do seu lado, consegue vê-los.
Há dias, num grupo do facebook, no qual estou porque me convidaram, mas onde estão maioritariamente professores, uma docente escreve: "Os paizinhos andam a dormir. Se os meninos têm mais um dia de férias começam logo a refilar porque não têm onde deixar os rebentos. Agora ninguém diz nada!"
Estava a professora a referir-se à falta de professores na escola mas quando me chamam "paizinhos", sobe-me a mostarda ao nariz. Acho de uma falta de chá que não resisti a responder: "Que professor merece respeito quando fala assim dos pais? "Paizinhos" ou "pais"? Se não fossem os pais, os professores não tinham matéria-prima para ensinar. Respeite para não ser chamada de "professoreca"."
Pouco depois, a professora responde-me do alto da sua sabedoria: "Eu sou mãezinha e professoreca. É preciso ser inteligente para decifrar este post."
Estúpida, Bárbara, toma lá para aprenderes!

Mas há uma outra colega que sentiu a necessidade de ser pedagógica: "Bárbara Wong, a colega não criticou os pais, apenas disse que andavam a dormir pois há escolas onde faltam mesmo muitos professores. Eu enquanto mãe não tolero que isso aconteça nesta altura do ano. Ao meu filho falta-lhe um professor e já mandei reclamações para vários sítios. As aulas já iniciaram praticamente há 15 dias e é inadmissível ainda não estar um professor colocado naquela vaga. Tenho um agrupamento ao pé de casa onde faltam 41 professores. Você acha isso normal? Pois eu não acho e sou mãe!"
Mas a professora acredita que eu não compreendi o que a sua colega queria dizer? Eu percebo, não gosto é que chamem "paizinhos" a um parceiro educativo. E por mim a conversa acabou.

Só que faltava a professora indignada porque há uma "mãezinha" que entra em diálogo. Então, ainda não sabe que os professores não podem nunca ser questionados e tudo o que dizem é verdade? Ai, ai, ai...
"Agora chama-se matéria-prima aos alunos! A D. Bárbara deu a sua opinião através da escrita!! Aprendeu a escrever sozinha? Reforça a ideia de que alguns "paizinhos" andam a dormir; ou melhor nunca acordaram para a realidade que é ter um filho, ter alguém que devem cuidar e educar. A forma como muitos agem não são dignos de serem chamados "paizinhos" quanto mais de PAIS! A D. Bárbara não entre em disputa comigo porque não lhe vou responder mais! Sei o que pretende"
A D. Bárbara é respeitadora e não entra em "disputa" até porque a D. Bárbara não sabe "o que pretende", nem sabe o que responder a alguém que destila ódio pelos pais que não merecem ter filhos - talvez fosse de criar um órgão nacional onde estivesse esta professora a decidir quem pode ou não ter descendentes.
A D. Bárbara gosta de diálogos construtivos por isso, não sabe do que a professora está a falar. O que a D. Bárbara sabe é que a docente na sua escrita revela estar confusa ou furiosa com o mundo. A D. Bárbara teme pelos alunos desta professora.
Um pormenor de menor importância: A D. Bárbara detesta que lhe chamem "dona", chamem-lhe "Bárbara", "menina Bárbara", "senhora" ou "senhora dona"; mas "dona" é que não. Nem "doutora", chamem-lhe "jornalista". Gostos não se discutem.
O comentário da senhora professora tem quatro "gostos", inclusive há uma colega que diz que já tinha pensado o mesmo (?!?): Toma lá, ó D. Bárbara, o que tu queres sabemos nós!

O último comentário é revelador da classe de alguma classe docente: "Os pais são ignorantes... se o não fossem valorizariam a educação dos seus filhos e saberiam lutar mais por estes direitos fundamentais!!"
Temi que terminasse com um "morte aos pais". Mas pronto, são só uns "ignorantes". As senhoras professoras é que são o suprassumo da inteligência! E devem ter nascido de geração espontânea! Não acredito que tivessem pais, porque se assim fosse seriam tods uns ignorantes, não mereciam ser pais, eram uns "paizinhos"...

A verdade, é que estas senhoras professoras em concreto não viram notícias nos últimos dias, não leram jornais, não ouviram rádio - acredito que estivessem ocupadas a preparar aulas e a conhecer os seus alunos - porque se o tivessem feito, teriam visto os pais às portas das escolas a protestar. Se passeassem pelas redes sociais, leriam as queixas dos pais porque faltam professores nas escolas. Portanto, os "paizinhos" estão do lado dos professores. Quer dizer, os pais acham que estão ao lado dos professores, mas têm um problema de perspectiva porque, na verdade, os professores estão lá tão em cima, mas tão em cima que não conseguem ver os pais.
Uma pena porque a união faz a força.
BW

quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Chegar mais cedo para ter lugar na sala de aula

Na manhã de quarta-feira, ele apressou a irmã para saírem de casa mais cedo. "Despacha-te que tenho de chegar a horas!" Com a mochila feita de véspera, estava impaciente, esperando à porta de casa, enquanto ela dava os últimos retoques ao cabelo, vendo-se ao espelho de fugida. "Ui, estamos tão aplicados!", atirou-lhe, em tom de crítica, bem-humorada. Ele empurrou-a para a rua e fechou a porta com força.
Esta manhã, ouviu-se um "já estamos atrasados" em tom de desabafo e de desespero. E lá correm eles porta fora.
Passou a gostar da escola? É um aluno pontual e aplicado? Nem por isso. É o instinto de sobrevivência que o faz voar em direcção ao estabelecimento de ensino. É o querer ficar sentado na sala de aula onde as 32 carteiras são insuficientes para os 33 alunos inscritos. O último não terá lugar para se sentar e, por isso, não terá direito a entrar na sala de aula. Aconteceu ontem, com a professora a pedir ao último que entrou para ir à secretaria queixar-se que não tinha lugar.
Turmas de 33 alunos em salas que não comportam mais de 32 mesas?
Turmas de 33 alunos no último ano do secundário? Eles são grandes, enormes, e as salas foram desenhadas pelos arquitectos da Parque Escolar para os 25/28 previstos anteriormente.
Consegue um professor conhecer os 33 alunos daquela turma e os 33 de todas as outras turmas que vai leccionar durante o ano?
Consegue um professor ensinar 33?
Conseguem os 33 alunos aprender?
Duvido.
O ministro Nuno Crato disse que gostaria que a abertura do ano lectivo fosse “sobre os alunos, as turmas e a evolução que está a ser feita”. Sobre os alunos que não têm professores? Sobre os alunos que não têm lugar para se sentar na sala de aula? Sobre a evolução? Qual evolução? 
O sucesso escolar começa a construir-se no primeiro dia de aulas, diz Maria de Lurdes Rodrigues. Assim é, ele sai cedo para se conseguir sentar. Depois, é rezar para que aprenda alguma coisa com a meia dúzia de professores desmotivados que lhe aparecem à frente – em cinco, faltam três ser colocados – e com os 32 colegas que, tal como ele, por vezes, não sabem o que é estar numa sala de aula.
Entretanto, ele vai continuar a ser pontual: não há lugares marcados porque não há director de turma – faz parte do grupo dos que não foram ainda colocados.
BW

sábado, 12 de Julho de 2014

quarta-feira, 18 de Junho de 2014

Memorial no exame Português

Os alunos que ontem apostaram em Saramago, acertaram.

No dia em que se celebram 4 anos da morte de José Saramago, o exame nacional de 12.º volta a privilegiar a obra do Nobel.

Num exame acessível, apenas com uma ou outra escolha múltipla onde os alunos escorregaram, a prova foi ao encontro do esperado.

Tratou-se de uma prova ajustada ao tempo e ao programa.

Prova e critérios disponíveis, em breve, aqui.

terça-feira, 17 de Junho de 2014

Exame nacional de Português - 12º ano

As apostas correram nos corredores ao longo deste terceiro período. À frente, esteve quase sempre Memorial do Convento (porque vai estar, em breve, retirado do programa, por obra e graça das novas metas curriculares) e Felizmente Há Luar! (que vai mesmo desaparecer de cena).
Especulou-se quanto à matéria do 11.º ano que será, pela primeira vez, incluída. Apostou-se no estilo queirosiano (já que das obras específicas não se esperam questões, pois diferentes escolas podem ter selecionado obras distintas). Alguns rezaram por Cesário (por terem estudado poesia este ano um período quase inteiro). Não valorizaram o nosso estimado Pe António Vieira, mas, ao mesmo tempo, pareciam estar confiantes, pois «com aquilo dos peixes é fácil de perceber onde é que ele quer chegar». Frei Luís de Sousa seria bom, diziam outros. Não gostaram da «lamechice», mas foi fácil. «O *romanticismo é canja». [Urge intervir na conversa e corrigir: é romantismo!] A questão mais importante é perceber que nesta peça, o sebastianismo, afinal, é visto negativamente: em Os Lusíadas, D. Sebastião é o rei, o homem a quem o poeta dedica o poema e a quem, ao mesmo tempo, apela. Em Mensagem, representa a esperança e é, por isso, simbólico. «No Frei», como dizem os alunos, que tudo tendem a simplificar, Maria e Telmo esperam por D. Sebastião. Mas a chegada do "desejado" traz, afinal, a desgraça da família.
Esperemos que a chegada, amanhã, do exame, não traga também desgraças. À hora do almoço, já todos saberemos o que saiu....


A prova e critérios aparecerão aqui.

Prova final de ciclo - Português, 9.º ano

Hoje foi dia de prova para os alunos do 9.º ano.
Expectativas goradas, tanto no que diz respeito aos autores que os alunos (e professores) esperavam ver contemplados, tanto quanto à gramática. Sim, também creio que a média nacional vai subir. Associo o texto do Machado de Assis a uma introdução suave das Novas Metas Curriculares, que vão, naturalmente, em breve, estar em pleno nas nossas escolas.
No entanto, e apesar da aparente facilidade da prova, não sei se, por exemplo, logo a primeira frase do texto ("– Olhe do que vosmecê escapou – disse o almocreve") não terá deixado muitos alunos atarantados. Note-se que a lista de vocabulário incluía 11 palavras, algumas, efetivamente, fora da realidade e conhecimento dos alunos.
A prova e respetivos critérios de classificação estão disponíveis aqui.
Leia mais opiniões sobre a prova aqui.

terça-feira, 10 de Junho de 2014

Cacilheiro Trafaria, de Joana Vasconcelos

Redescubra uma zona da cidade de Lisboa e visite o Cacilheiro Trafaria Praia.
Os bilhetes custam 6 euros, com 50% de desconto para crianças abaixo dos 12 e para os que têm mais de 65 anos.
Pode ainda optar pela travessia, esta mais cara, naturalmente.
Conheça mais detalhes aqui.

segunda-feira, 19 de Maio de 2014

Provas finais de ciclo - 2014

A época de provas finais e exames nacionais começou hoje com os alunos do 4.º e do 6.º anos e a disciplina de Português.
Provas com extensão e grau de dificuldade dentro do previsto e adequados aos respetivos níveis.
Os critérios da prova final de ciclo do 4.º ano podem ser consultados aqui e os da prova do 6.º aqui.

Todos os critérios de classificação / correção podem ser consultados no site do IAGE.

sexta-feira, 25 de Abril de 2014

Não hei-de morrer sem saber qual a cor da liberdade

Cantiga de Abril

Às Forças Armadas e ao povo de Portugal
"Não hei-de morrer sem saber qual a cor da liberdade"
Jorge de Sena

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

Quase, quase cinqüenta anos
reinaram neste país,
e conta de tantos danos,
de tantos crimes e enganos,
chegava até à raíz.

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

Tantos morreram sem ver
o dia do despertar!
Tantos sem poder saber
com que letras escrever,
com que palavras gritar!

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

Essa paz de cemitério
toda prisão ou censura.
e o poder feito galdério,
sem limite e sem cautério,
todo embófia e sinecura.

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

Esses ricos sem vergonha,
esses pobres sem futuro,
essa emigração medonha,
e a tristeza uma peçonha
envenenando o ar puro.

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

Essas guerra de além-mar
gastando as armas e a gente,
esse morrer e matar
sem sinal de se acabar
por política demente.

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

Esse perder-se no mundo
o nome de Portugal,
essa amargura sem fundo,
só miséria sem segundo,
só desespero fatal.

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

Quase, quase cinquenta anos
durou esta eternidade,
numa sombra de gusanos
e em negócios de ciganos,
entre mentira e maldade.

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

Saem tanques para a rua,
sai o povo logo atrás:
estala enfim, altiva e nua,
com força que não recua,
a verdade mais veraz.

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

1974